Mais uma vez estou aqui em um post saudosista. Os noticiários mostram constantemente o aumento da violência nas escolas, entre os alunos e principalmente entre professores e alunos. Isso não se resume apenas as escolas públicas mas também em escolas particulares com crianças/ adolescentes com ótimas condições financeiras mas nesse caso a violência verbal ou física é mais abafada. Os alunos não respeitam os professores, diretores, funcionários da escola e acham que por estarem pagando pelo serviço podem fazer o que quiserem. No final das contas eles não estão errados, visto que, é mais fácil afastar o funcionário do que perder a fonte de lucro. Claro que não estou generalizando porém sabemos que as coisas também acontecem assim.
Nessas horas lembro do meu ginásio. Estudei em um colégio de freiras, não tenho problema algum em mencionar isso, posso garantir que foi maravilhoso. Tenho 27 anos, meu ginásio foi no Convento da Soledade, em Salvador, onde passei alguns anos desfrutando de uma boa educação complementada com a base que eu tinha em casa. Os professores me respeitavam e vice-versa, apesar de essencialmente católico, o colégio tinha alunos de diversas religiões: desde evangélicos à umbandistas. Todos eram respeitados. Acredite se quiser mas eu tinha aula de DATILOGRAFIA! E gostava muito! A professora era uma irmã com seus setenta e tantos anos e nossa meta era passar para a máquina de datilografar elétrica (se é que vocês da geração computador sabem o que é isso) e esta aula não era apenas para meninas, era para todos os alunos. Hoje, digito com todos os dedos aqui no computador e inclusive sem olhar, graças a irmã que rondava a sala enquanto eu digitava em uma máquina de escrever.
E o que falar das minhas aulas de música com a professora Madalena? Ela ficava ao piano enquanto nós cantávamos e aprendíamos as bases e divisões da música: colcheia, mínima, fusa… Aprendi a cantar os hinos, até o de indepêndencia da Bahia e sei cantá-los ainda hoje. Em minhas aulas de educação física, a cada unidade, aprendia um esporte diferente. Eram eles: Handball, Futebol, Vôlei e Basquete.
Tudo isso foi para dizer que eu era feliz em uma escola particular que não me tratava como uma cliente. O respeito mútuo era regra. Jamais, em nenhum momento, se pensou levantar a voz para um professor imagine então chegar as vias de fato. Cabular aula era basicamente uma tentativa de aventura, correr pelos corredores, se esconder no banheiro, tentar chegar ao quarto das freiras e bisbilhotar. Fugir da aula hoje, é para fumar cigarros, maconha, namorar, falta de vontade de aprender.
Entendo que a obrigação de educar é dos pais mas muitos não entendem isso e delegam esta responsabilidade para a escola, televisão, babá, amigos, vizinhos. O outro lado é quando a educação que a criança recebe em casa, sinaliza que ela deve ver os outros separados por categorias: aqueles que me servem e os outros. A criança se acha no direito de desrespeitar, julgar e agredir aqueles que não se submetem as suas vontades, ou pior, fazem deles um alvo gratuito de agressão. Vai dizer que já esqueceu dos adolescentes que espancaram uma trabalhadora doméstica achando que ela era uma prostituta – visão esta, corroborada pelos pais?
Em que momento o cenário mudou? Quando nossas crianças viraram mini-adultos violentos? Qual é o caminho para mudar esta realidade?



















